Wednesday, December 17, 2008

Saturday, December 6, 2008

Promoção

















A cantora norte-americana Cher, de 61 anos, admitiu, em uma entrevista com a apresentadora de televisão Oprah Winfrey, ter mantido um romance com Tom Cruise em meados da década de 1980, quando o ator tinha 23 anos.
A diva fez confidências sobre a "longa noite" que passou ao lado do ator mauricinho.
Cher, que está no meio da promoção de seu próximo espetáculo em Las Vegas, disse que os dois "poderiam ter tido um grande romance, porque eu estava louca por ele."
Segundo a artista, a relação com o ator, que agora tem 45 anos, teria continuado se não fosse pelas exigências de suas respectivas carreiras.


Cher, 2008

Outra que apela para aventuras sexuais do passado a fim de chamar a atenção para a carreira em fase obscura...

Tuesday, November 25, 2008

Você pensa em se aposentar?








"Artista precisa se expressar sempre. Se eu parar de trabalhar, fico louca."


Wanderléa, 2008

Saturday, November 22, 2008

Dos palcos para o estúdio



No Boogaloo, criávamos nosso figurino, inspiradas no ousado guarda-roupa de Rita Lee ou das Frenéticas: desenhávamos, escolhíamos os tecidos e nossas habilidosas mães costuravam, materializando modelos que nenhuma garota tinha coragem de usar, como as roupas esquisitas que desfilam nas passarelas da moda: você já viu alguém vestindo uma delas na rua ou mesmo numa festa descolada?

Isso demonstra a liberdade que tínhamos dentro da banda.

Mas logo o sonho iria acabar...

Depois do casamento, em 1976 e do nascimento da Fernanda, também nesse ano, ainda fiquei alguns meses no Boogaloo, mas os problemas familiares me pressionaram a largar a banda. Não fiquei tão triste porque consegui comprar um piano (com a grana que ganhei do meu querido tio Aventino Agostini) e voltei a estudar música, apesar de que (como já disse em outro tópico) o curso de Composição e Regência foi decepcionante.

E também porque estava envolvida, desde 1975, com outra atividade ligada à música, a gravação de jingles. Comecei trabalhando com o estúdio número 1: Pedro Amaro Gravações, localizado no Edifício do Relógio, na Andradas esquina com a General Câmara, em frente à Praça da Alfândega.
Em frente a esse prédio, os músicos (especialmente os que tocavam em bailes) costumavam encontrar-se todos os dias, formando um grupo que ali estacionava jogando conversa fora e, obviamente, falando sobre música e dos outros músicos, também a procura de trabalho. Além de estúdios (inclusive o que abrigava a Rádio Continental), os escritórios dos empresários ficavam nesse edifício, o que atraía os profissionais da música à essa esquina.

Voltando aos jingles: desta vez, fui eu a convidar a Nara para participar de uma gravação e fomos as duas, animadas, pisar pela primeira vez num estúdio de gravações, que era pequeno mas funcionava com uma grande quantidade de produções.
Lá conhecemos o Pedro Amaro, the godfather, um educado cavalheiro com voz empostada de locutor, que nos inundou de instruções e regras detalhadas e o diretor musical, maestro Garoto, gaúcho recém-chegado de São Paulo, um arranjador competente e criativo. Ele compunha jingles com a maior facilidade e elaborava uma vocalização trabalhosa e enredada que nos fazia suar por horas até conseguirmos cantar com perfeição as harmonias dissonantes e cabeludas que nos passava.

Nara e eu já estávamos acostumadas a vocalizar, pois a maioria das músicas do nosso repertório era repleta de "segundas e terceiras vozes". Mas a Loma, a outra cantora que fazia parte do grupo, não tinha esse hábito e por isso, demorávamos mais tempo a finalizar as gravações - apesar de que sua linda voz e seu contagiante sorriso colaboravam com o positivo resultado final. Com a prática quase diária de gravar, formamos um trio afiadíssimo!

Depoimento de Pedro Amaro, sobre seu estúdio:

“Chamava-se Pedro Amaro Gravações. Foi nos anos 70. Fim dos anos 60, 70. E começamos a produzir aqui, chegou um determinado estágio que a gente fazia uma produção, se investia muito, gravava com orquestra, com cantores, com coral, do pessoal da agência, ou até dos clientes, duvidavam que fosse feito aqui. “Mas isso não pode ter sido feito aqui!” diziam. Começaram a dar valor ao nosso trabalho e o Rio Grande do Sul também ganhou com isso. Foram surgindo novos valores, novas produtoras, tecnologia avançada, com os teclados, mas nós fazíamos ao vivo com orquestra, era o som natural de uma orquestra. Hoje as produtoras utilizam um teclado que faz o som de uma orquestra numa salinha pequena.”

O trecho faz parte de uma entrevista veiculada em
http://www.pucrs.br/famecos/vozesrad/pedroamaro/integra.htm


Os músicos da Ospa eram frequentemente contratados, pois o Garoto adorava um arranjo envolvendo muitas cordas e sopros; na prática isso acabava ficando trabalhoso - afinação de violinos, muita gente participando, ao vivo (não pode errar, errou faz de novo, repete, repete, repete...) - e quando éramos chamadas para gravar, já sabíamos que ficaríamos horas lá dentro, às vezes, atravessando a noite, para que um simples jingle se transformasse numa obra de arte. Esse foi o principal motivo que fez a Nara desistir das gravações e ficamos, Loma e eu, como as principais vocalistas.

Tenho que me referir aqui também à figura prestativa, eficiente e simpática do Vargas, o braço direito do Pedro, um faz-tudo infatigável. Ele tinha o hobbie da fotografia e ninguém passava por lá sem ser clicado pro sua sempre atenta máquina fotográfica. O Vargas deve ter um álbum quilométrico com todo mundo que trabalhou, visitou ou teve qualquer contato com a Pedro Amaro Gravações. Essa foto foi ele que tirou, quando eu estava grávida da Fernanda, na recepção da gravadora:


O primeiro produto que ajudamos a vender foi a Minuano Laranjinha, mas as campanhas mais elaboradas de que participamos foram as das lojas de departamento, hoje extintas, Imcosul e JH Santos.

Criaram-se campanhas envolvendo vídeo (um vídeoclip, algo bastante arrojado para aquele momento) e o tema musical e a idéia foram de Edgar Ferretti e Wanderley Falkenberg (agência Escala): cantei o tema vestida com uma longa túnica indiana, num visual riponga, onde caminhava lentamente até me instalar numa rede (era verão: Imcosol, Imcosal, Imcosul...).

Depois veio a campanha de fim-de-ano (compras para o Natal), que usou cantores e músicos, dançando e cantando para vender os eletrodomésticos da JH Santos, uma formação inédita aqui no Sul; a Escala e a Pedro Amaro Gravações unidas, deram uma nova roupagem à propaganda gaudéria.

Minuano Laranjinha

Imcosul Verão

Foi emocionante participar desse crescimento e apogeu, fazendo parte de uma equipe que revolucionou a criação de jingles, que abusou da inventividade e investiu pesado em artistas locais (não havia - e não há - gente talentosa apenas em Rio e São Paulo...).

Em 1978, uma nova gravadora surgia em Porto Alegre, vindo suplantar o estilo Garoto de musicar os comerciais: a ISAEC entrou no mercado de jingles com tudo e para produzi-los, havia o talento de Geraldo Flach.

Detalhes no próximo tópico, certamente...

Sunday, November 16, 2008

Nina Hagen - diva germânica, primeira e única



Em 1985, ela apresentou-se no Rock in Rio, o texto abaixo mostra o que foi sua atuação:

A Blitz cometeu um erro na sua estréia no Rock in Rio: terminou sua apresentação com uma peruca estilizada. O problema é que logo depois, entrou no palco a mais louca convidada do festival de rock: Nina Hagen. E a macro-peruca vermelha de Nina fez com que os cabelinhos prateados da Blitz parecessem simples escovas de dentes. E Nina já entrou estraçalhando, confirmando que aquela seria a apresentação mais ousada de todas:

- I love you! I love you! I love you!

Ela repetiu essa declaração de amor para a platéia dezena de vezes, em cada uma usando uma das muitas vozes que se escondem em sua garganta treinada - antes de aderir ao rock, Nina estudou canto operístico.
Com uma malha-colante com desenhos geométricos, a peruca vermelha que descia pelas costas até quase a cintura, a ímpar garota de 29 anos abriu seu espetáculo inesquecível.

Logo depois, surge um problema com o sistema de som. Ela reclama com os técnicos, aos berros (Tim Maia?). A microfonia continua. Ela xinga, faz gestos obscenos, a platéia delira. Tenta cantar, mas a microfonia continua "apitando"; implora aos técnicos: "please, please!"

Aos poucos, a coisa vai se resolvendo e o show segue.
No seu cinto, bem abaixo do umbigo, está pendurado um bichinho de pelúcia. Ela avança até a frente do palco, empina o corpo para a frente e acaricia o pelo do animalzinho, que está no vértice das suas pernas. A platéia urra! Quem está mais afastado do palco não percebe direito "o que ela está alisando" ( obviamente, a Rede Globo não mostrou nem comentou esse momento do show... hehehehe).

O sensualismo não parou por aí.
Mais adiante, Nina se atira no chão e se contorce feito uma cobra. O guitarrista, careca e com um rabicho louro caindo pelas costas, acompanha os espasmos de Nina pelo chão do palco. O som vai rolando - da fúria da guitarra heavy até a pulsação eletrônica do tecno-pop.

Nina sai do palco e volta com uma gigantesca peruca branca e um maiô de couro arroxadíssimo, aumentando a carga sexual do espetáculo. Canta "God of Aquarius". Mais adiante, outra saída, nova troca de figurino, mais uma peruca - desta vez, vermelho-sangue.

Embora o público não conheça bem o repertório de Nina - ela só ficou conhecida no Brasil depois que "New York, New York" foi incluída na trilha internacional de uma novela - a receptividade é grande e parece que ela tinha certeza de que tudo ia dar certo:

- A platéia vai entender tudo. Todas as minhas letras são místicas. Têm uma mensagem. Eles vão entender tudo. Afinal, no mundo do rock, eu sou a única cantora que fala com Cristo diariamente.

A platéia parecia entender mesmo tudo que ela queria dizer com a doideira da sua música, feita de gritos, sussurros, voz áspera, guinchos e sensualidade.
Na saída do palco, ela sorria, vitoriosa:

- Agora, minha música vai fazer parte da vida dos brasileiros - confirmando isso, ao fechar dois shows em São Paulo.

Durante seus shows, nada de bebidas alcoólicas, cigarros, carnes - Nina é vegetariana, não fuma, não bebe e não gosta que ninguém desrespeite suas preferências.

- Depois de São Paulo, vou ao Peru.
Os peruanos tiveram uma princesa índia chama Nina Coua.
Sou eu.


Nina, aqui portando um look básico e simplezinho...

Equipamento


"Eu acho a técnica fundamental.
Todo ano surgem novidades mil, que um músico tem direito de utilizar.
Não admito a ditadura da coisa pobre - violão, pandeirinho etc.
Já pensou, fazer um show para 7 mil pessoas, num ginásio, com equipamento chulé?

É um desrespeito!"

Rita Lee, 1983

Pois é, a MTV ainda não tinha inventado o seu especial acústico...

Saturday, November 15, 2008

Repertório



"Ainda que o pessoal acredite piamente que a transação é abrir a boca e cantar, têm outras coisas, como postura perante a vida, perante sua época, perante o tempo...
Pessoas que cantam bem há muitas, mas tem que ter alguma coisa além de cantar.
Você descobre isso pelo repertório."


Elis Regina, 1976

Ela escolhia as músicas que desejava cantar com uma varinha mágica, revelando autores e criando sucessos; o repertório de Elis era seu espelho.

O que é - para você - o ato de pisar no palco?



"Pra mim, é cantar pras pessoas.
É o fato de ter pessoas em determinado lugar para me ouvir cantar as minhas idéias.
Para que eu me expresse para elas, do jeito que quero me expressar.
É uma coisa narcisista.
É uma vaidade mesmo. Me sinto bem.
Estou sendo visto, estou me expondo, estou me exibindo para as pessoas.
É exatamente isso que eu gosto.
Falo sobre o porquê de escolher o palco, fazer isso e não outra coisa.
O que a gente busca no palco é o êxtase, para que seja transmitido aos outros."


Gilberto Gil, 1980

Gostei da resposta, bem sincera e objetiva, sem enrolações pseudo-intelectuais ou freudianas. Subo no palco porque gosto de exibir meus talentos e preciso expressar-me em público. Ponto.


"Subo nesse palco, minha alma cheira a talco
Como bumbum de bebê, de bebê
Minha aura clara, só quem é clarividente pode ver
Pode ver
Trago a minha banda, só quem sabe onde é Luanda
Saberá lhe dar valor, dar valor
Vale quanto pesa prá quem preza o louco bumbum do tambor
Do tambor

Fogo eterno prá afugentar
O inferno prá outro lugar
Fogo eterno prá consumir
O inferno, fora daqui..."

Friday, November 14, 2008

Da love story ao rock progressivo


Voltando à noite do baile na Sogipa... estávamos nós, do Boogaloo, tocando em um salão e o Impacto, em outro.
Num intervalo, curiosa, fui espiar a performance da banda sobre a qual já tinha ouvido maravilhas.
O som deles era mesmo empolgante: pelo equipamento importado (ninguém tinha igual), o figurino luxuoso, a atitude superstar no palco, a quase perfeição com que reproduziam os sucessos alheios.
Mas, numa ponta do palco, uma figura especial chamou minha atenção, tocando tumbadora. A Nara já o conhecia e fez as apresentações - Bebeto Mohr. Alguma poderosa reação química ocorreu naquele momento, porque acabamos casando e tendo dois filhos.


Nosso casamento foi bastante tumultuado e não cabe aqui descrever os altos e baixos da nossa relação; digamos que houve, em síntese, uma acentuada "incompatibilidade de gênios". Não tenho interesse em analisar ou revelar detalhes da personalidade ou do caráter de ex-marido, mas destacar sua qualidade como músico: excelente e original baterista/percussionista, habilidade que foi herdada por nosso filho, Gabriel (tão - ou talvez mais - talentoso quanto o pai).


Um fato importante para meu crescimento, foi conviver com o grupo de músicos e amigos mais íntimos do Bebeto - Boca (contrabaixista), Japonês (idem), Virnei (guitarrista) e Leco (tecladista) - sendo que os dois últimos tocaram por um período no Boogaloo. Eles curtiam um tipo de música que era desconhecida até então para mim, o rock progressivo: King Crimson, Yes, Emerson, Lake and Palmer, Jethro Tull, Genesis e especialmente Biil Bruford e Billy Cobham. Ouvi-los me fez descobrir a música instrumental e o jazz.





Me sentia uma inexperiente aprendiz entre aqueles virtuosos e descolados instrumentistas, que me tratavam com gentileza e paciência.
Era um universo novo para mim; certa vez, fomos em uma boate onde o Leco tocava e fiquei boquiaberta com o ambiente, totalmente estranho para uma garota classe média, educada dentro de uma redoma.

O auge desse aprendizado ocorreu quando assiti ao Genesis e Rick Wakeman, ao vivo, no Gigantinho, foi como tocar em uma estrela inatingível. Hoje, artistas estrangeiros vêm às pencas ao Brasil, mas nos anos 70 isso era uma raridade e, ainda mais, virem a Porto Alegre/RS!

Filhos a tiracolo



"Muitas vezes, a gente entrava no palco e tinha crianças nos bastidores.
Se choravam, entravam comigo no palco.
Uma vez, o dono do show não queria deixar o bebê entrar. Mas era um bebê que ainda mamava!
A platéia ficava apaixonada por aquele momento mãe".


Baby Consuelo (hoje Baby do Brasil), quando cantava com os Novos Baianos, casada com Pepeu Gomes e mãe de uma vasta prole.

Não cheguei a tomar essa atitude extrema, mas me apresentei no palco com um barrigão de quase nove meses, levava meus filhos ainda pequenos para as gravações em estúdio onde ficávamos, às vezes, trabalhando madrugada adentro e acabavam dormindo sobre almofadas no chão, em camas improvisadas e minha caçula viajou comigo em alguns shows que fizemos no interior, porque ainda amamentava (ela tinha 9 meses).
Saía correndo quando o baile terminava, indo para o hotel alimentá-la. Durante a viagem ela foi incrivelmente dócil e tranqüila, os rapazes diziam que não parecia ter um bebê a bordo.

Intimidade



"Me aproximei da Gal e acabei transando com ela...
Foi muito importante para mim porque me mostrou um outro horizonte.
Eu transei com algumas cantoras, mas sem dúvida a Gal foi a mais importante.
É a que vale a pena falar. Foi a primeira, né?"


Marina Lima, cantora e compositora, 53 anos, confessando à revista Joyce Pascowitch que transou aos 17 anos com a cantora Gal Costa.

Será que a Marina está precisando fazer revelações bombásticas para aparecer na mídia? Que pena que seu talento não está bastando para que continue brilhando no cenário musical...
Acho uma decadência citar os famosos ou não com quem se troca fluídos.

A propósito: se alguém disser, numa dessas rodinhas de músicos formadas para comentar quem traçou quem, que teve um relacionamento íntimo comigo, é uma mentira deslavada, pois tenho uma regra: não me envolver emocionalmente e/ou sexualmente com colegas de profissão.
A obediência cega dessa regra tem me ajudado a manter uma convivência agradável, respeitosa e produtiva com parceiros musicais.

Thursday, November 13, 2008

Bumble Bee



Bumble Bee Surf Rock - banda instrumental cujas principais referências são The Ventures, Dick Dale, The Surfaris, The Centurians - caso você tenha assistido Pulp Fiction e se ligado na trilha do filme, é esse o som.
O repertório da banda inclui também os clássicos nacionais que fizeram sucesso na época pré-Jovem Guarda dos anos 60, com Os Incríves, The Jet Blacks e The Jordans.

Formada na metade de 2007, a banda tem Ibanor Minossi, no contrabaixo, Gabriel Mohr, na bateria e Edner Pizarro, na guitarra solo.

Algumas músicas que fazem parte do repertório:

*Buddah
*Bulldog
*Rebel Rouser
*Rock Nuts
*Perfidia
*Bumble Bee Rock

As 6 gravações das músicas acima podem ser ouvidas no myspace: http://www.myspace.com/bumblebeesurf

O grupo costuma tocar no CulturaRockClub, na Olavo Billac 251, esq. Lima e Silva, Porto Alegre - pelo menos foi onde eu assiti a duas apresentações deles e à outra, no Cabo Horn (parece que gostei...).

Vivendo e aprendendo a cantar


O Boogaloo nasceu em São Leopoldo, cidade próxima à Porto Alegre.
Lá moravam os "donos da bola", Alemão e Dirceu, conhecidos da Nara, amiga que me convidou a participar do grupo. Tínhamos que ensaiar durante a semana e à noite em São Leo, pegando o "busão federal" ida e volta. Mais tarde, um clube da Capital (o Uniãozinho) nos emprestou a sede para os ensaios porque a maioria dos músicos residia aqui.
Esse clube desapareceu, assim como a maioria dos que organizavam reuniões dançantes, talvez um dos poucos que ainda está ativo seja a Casa de Portugal (na av. João Pessoa).

Assim como hoje os jovens vão a raves e idolatram DJs, na década de 70 iam a clubes sociais dançar ao som de conjuntos que faziam covers - nada de produção musical própria, o público queria xerox - quem conseguia reproduzir com mais perfeição os hits do momento era mais popular (shows ao vivo, sem maquiagem tecnológica como samplers etc).

Ouvíamos os discos até a exaustão, repetindo e repetindo a mesma faixa, estudando os detalhes, procurando cantar igualzinho à vocalista famosa.
Confesso que nunca consegui "copiar" muito bem o estilo dos outros... cantava do meu jeito e preferia músicas estrangeiras, não gostava muito do repertório nacional, com exceção de Rita Lee, Gal Costa, Caetano e Gil.

Viajávamos muito pelo interior do RS, quase sempre tocando de sexta a domingo, sem descanso. Sexta e sábado, era o trabalho pesado, cinco ou seis horas de baile e no domingo, era como a azeitona da empada, reunião dançante light, terminando pela meia-noite, porque segunda era dia de acordar cedo.
Num baile na Sogipa, repartimos o espaço com outro conjunto - o Impacto - que era o número 1 (os caras já tinham se apresentado em Portugal e isso criava uma espécie de aura mítica em volta do grupo) - na verdade, anos depois fiquei sabendo que estavam temerosos com a nossa ascensão, com medo de perder a pole position.

Quem me confessou isso foi o Salim, empresário, um cara inteligente e esperto, um vendedor de sucesso, que depois de passada a onda dos conjuntos, abriu uma casa de espetáculos - o Le Club (na Independência esquina com João Telles) - que contratou shows de grandes nomes da música, agitando de uma forma inovadora a noite portoalegrense.
Era um cara divertido, irônico, atualizado; lamentavelmente, suicidou-se.


Bye, Salim...

Bem, e aquele baile da Sogipa, com o Impacto... assunto para outro tópico!

Wednesday, November 12, 2008

Lição de piano


Aprendi a ler bem cedo, com cinco anos, ensinada por uma babá que estudava para ser professora; praticávamos em jornais, ela querendo treinar a didática e eu, louca para decifrar aquele emaranhado de símbolos no papel.
E um pouco depois, aprendi a decifrar os símbolos da música: a pauta, a semínima, a semibreve, o dó, o sol, o lá...

Minha primeira professora de piano foi minha querida tia Terezinha, que vendo minha inclinação e amor pela música e dizendo que eu tinha uma "ótimo ouvido", me introduziu nesse universo. Como minha família não podia comprar um piano, ia todas as tardes (e às vezes passava lá os fins-de-semana) estudar no instrumento que ela mantinha em casa, onde dava aula para algumas crianças.

Escalas, exercícios, melodias singelas para quem está tentando colocar os dez dedos sobre uma infinidade de teclas brancas e pretas; estudei durante dois anos com ela e já tinha dominado a leitura da pauta, meu primeiro livro com partituras foi o "Novas Aventuras no País do Som", de Margaret E. Steward.

A seguir, ela me inscreveu no Belas Artes (hoje Instituto de Artes da UFRGS), onde comecei um curso introdutório, que na verdade, só reforçou o que já tinha aprendido.
A imagem mais forte que tenho desse período é de uma pequena banda que formávamos, com vários instrumentos, com os quais podíamos improvisar e brincar à vontade; depois as aulas de teoria, solfejo, piano e o estudo começou a ficar sério, até exaustivo.
Quando meu pai conseguiu alugar um piano (semi-novo, preto, com dois castiçais dourados incrustrados na madeira), foi a glória! Chegava da escola ao meio-dia, almoçava e ficava quase toda a tarde tocando.
Quando adulta, ganhei um piano de um tio que comoveu-se com o meu ardoroso pedido mas, infelizmente, tive que vendê-lo depois, numa fase de "vacas magras"...
Ainda sonho em ter um, novamente.

Entrando no curso Fundamental, fiquei até o quarto ano (1967), quando iniciou o meu processo de rebeldia adolescente e perdi a vontade de ficar horas e horas estudando escalas e exercícios técnicos: queria mais era ouvir Beatles, Jonhny Rivers, Rolling Stones, Jovem Guarda, Mutantes, Liverpool, ir a reuniões dançantes e beber cuba-libre escondida.
Tinha certeza que não ia ser uma concertista, que era a meta principal dos jovens que estudavam no Belas Artes, apesar de todo o empenho e estímulo dos ótimos professores que tive, como Zuleika Rosa Guedes e Norma Appel Bojunga.
No final do ano, tínhamos uma apresentação com todos os alunos e cada um selecionava uma peça, que era exaustivamente trabalhada para ser tocada em público. Ficava muito preocupada com essas apresentações, pois a música erudita não permite falhas, improvisos, deslizes, temos que executar impecavelmente a partitura.

Esse programa foi de uma apresentação em 1966:





Em 1975, iniciei o curso de Composição e Regência do Insituto, pensando em desenvolver meus conhecimentos teóricos, mas tive uma decepção porque o currículo era fraquíssimo, pelo menos nos dois primeiros anos em que fiquei lá: para cursá-lo, o aluno não precisava ler música, não exigiam exames práticos (tive que aguentar aulas explicando o que era uma pauta, uma clave de sol...), enfim, foi um monótono replay e não houve motivação suficiente para prosseguir.

Mas, definitivamente, não era meu caminho: queria cantar e, junto à Nara (que tocava violão) aprendia todos os sucessos, tirados daquelas revistinhas com cifras. Cantávamos em casa, na escola, nas festas, num ensaio do que viria pela frente, nossa performance no Boogaloo.
Meus pais ficaram muito chateados porque abandonei o curso de música, mas não imaginavam que isso não queria dizer que eu tinha abandonado a música...

Sunday, November 9, 2008

Trópico de Capricórnio



Em julho desse ano, encontrei um velho amigo, perambulando, nós dois, pelas ruas de Porto Alegre e não nos víamos desde os idos anos 80, quando trabalhamos juntos num musical criado pelo Geraldo Flach e logo depois, ele foi embora pra São Paulo.
Após o saudoso abraço, procuramos um lugar para viajar ao passado, onde atualizamos o presente, tentando descrever nossas trajetórias ao pé de um cafèzinho, uma ruga de tristeza surgindo ali, uma gargalhada despontando acolá, tecendo histórias íntimas e públicas.

Em uma rápida visita à cidade, para acertar seus ponteiros, Paulinho Oliveira (na verdade, Paulo Oliveira, mas na minha memória ficou esse nome, mais doce) me deixou seu lindo trabalho, o CD Trópico de Capricórnio, música instrumental de qualidade, criada, arranjada e executada por esse talentoso multiinstrumentista (sax alto e soprano, flauta, flautim, pife, triflu, wind-synth, percussão, teclados e programação... ufa, caramba, que potencial... rs).
Mas, para não o chamarem de guloso, ele repartiu o espaço do CD com alguns músicos convidados...

São oito faixas instrumentais, resultado do trabalho de um cara que andarilhou pelo Brasil e por meio mundo, fazendo música e para saber se aqui estou só louvando a obra de um amigo ou sendo imparcial nos meus elogios, confiram duas dessas faixas em: http://www.myspace.com/paulolliveira
Se gostarem e quiserem mais, dá para adquirir um disco lá mesmo, nesse endereço

Texto do encarte do CD:

"Quando, no início dos anos 80, cheguei a este pedaço de universo chamado São Paulo, em plena linha do Trópico de Capricórnio, talvez pressentisse, na ebulição de vida da metrópole paulista, as transformações que inevitavelmente aconteceriam em mim, como músico e ser humano.
Ao lidar com as novas tecnologias de produção musical, brotou espontaneamente nas composições, a mesma diversidade de sons, ritmos, aromas e sabores que tanto me têm fascinado, desde que aportei nessas terras tropicais.
Nesta colcha de retalhos tão coloridos procurei costurar esses quadros com a linha da improvisação (para que a alma não se perdesse). E, muitas vezes, me surpreendi quando esta linha conduzia a direção das idéias.
Trópico de Capricórnio é o registro musical de tempos muitos ricos em aprendizado, em música e em vida. E, agora, neste fim de ciclo e início de outros, uma só palavra me ocorre para definir meus sentimentos: gratidão.
Eu compartilho com vocês este sentimento. Namastê."


Trilha sonora indicada para aqueles que desejam escapar dos créus, tchans, popozudas, cachorras, égüinhas e outros bichos estranhos que têm conduzido a música brasileira.

Ao vivo e a cores


A foto registra minha primeira participação profissional num grupo musical (ou conjunto, como dizia-se em 1974, ano da minha estréia nos palcos de clubes em Porto Alegre).

Dá para ver que tínhamos duas cantoras, mas o Boogaloo chegou a ter 3 mulheres cantando nas suas apresentações, no que foi pioneiro no Rio Grande do Sul.

Os motivos desse pioneirismo: os grupos tinham formação exclusivamente masculina, ou seja, os garotos formavam seu clube do bolinha e luluzinha, só como groupie!
Não haviam cantoras disponíveis: se uma garota gostasse de cantar, devia materializar seu desejo oculto debaixo do chuveiro, porque atuar num grupo rodeada de homens, com "fama de garanhões e certamente consumidores de drogas" (o velho clichê música x sexo x drogas), chegar tarde em casa e viajar sozinha... nosssa! quantas coisas terríveis e perigosas para os pais aceitarem!
Então, poucas decidiam enfrentar toda essa pressão familiar, fora o fato de que "cantora da noite" = vagabunda. O público masculino ia nos assistir pensando que éramos presas fáceis, isto é, "tá lá em cima do palco, se fresqueando, é porque tá querendo transar..." ahahahahaha!

Mas os colegas músicos demonstravam respeito e estimulavam nosso crescimento profissional dentro da banda, porque a presença feminina chamava e conquistava o público, aumentando o sucesso do grupo nas noites de sexta, sábado e domingo.
Na década de 70, a black music era a preferida para escutar e dançar, então o repertório era basicamente com canções negras americanas. Também nos inspiramos no grupo de Sérgio Mendes, que tinha duas cantoras (uma loira e uma morena) e um repertório com muito balanço (hits americanos com sabor brasileiro). Nara d'Ávila era a loira (escondidinha, no fundo da foto) e eu, a morena...

Na minha estréia, fazia muitos vocais, mas cantei apenas uma música-solo, tremendo dos pés à cabeça no início, mas me soltando à medida que vi que era possível: eu cantava ao vivo e a cores!

Esse foi meu primeiro solo:

(Last Night) I Didn't Get To Sleep At All
(The 5th Dimension)

Last night I didn't get to sleep at all, no, no
I lay awake and watched until the mornin' light
Washed away the darkness of the lonely night

Last night I got to thinkin' maybe I, I, I
Should call you up and just forget my foolish pride
I heard your number ringing, I went cold inside
And last night I didn't get to sleep at all

I know it's not my fault, I did my best
God knows this heart of mine could use a rest
But more and more I find the dreams I left behind
Are somehow too real to replace

Oh, last night I didn't get to sleep at all, no, no
The sleepin' pill I took was just a waste of time
I couldn't close my eyes 'cause you were on my mind
And last night I didn't get to sleep, didn't get to sleep
No, I didn't get to sleep at all

[break]

But more and more I find the dreams I left behind
Are somehow too real to replace

Oh, last night I didn't get to sleep at all no, no
The sleepin' pill I took was just a waste of time
I couldn't close my eyes 'cause you were on my mind
And last night I didn't get to sleep, didn't get to sleep
No, I didn't get to sleep at all

No, no, no
No, no, no

Last night I didn't get to sleep at all, no, no
Oh, last night I didn't get to sleep at all (oh, oh)



A formação da banda quando entrei:

Alemão (dono, manager e quando sobrava tempo, subia no palco e dava uns tapas numa tumbadora), Dirceu (dono, relações públicas e contrabaixista), Enos e Joãozinho (dois irmãos que tocavam instrumentos de sopro - o pimeiro, piston e o segundo, saxofone), Barel (bateria) e Milo (guitarra e voz). O teclado só entrou para a banda mais tarde, na formação que aparece na foto, com Carlos Garofalli, um "hermano uruguaio" com pinta de galã e excelente pianista/tecladista, também arranjador.
Tínhamos na estréia 3 cantoras: Nara d'Ávila (minha amiga de infância), Márcia (veterana, pois já tinha mais experiência do que nós duas nos palcos) e eu (depois, ficamos só Nara e eu, a Márcia foi trabalhar em Caxias, em outra banda que também era popular).
Posteriormente, Milo saiu, entrou o Virnei (na foto, com a guitarra) e quando este também saiu, foi admitido o hoje famosíssimo José Carlos Lima, o Zeca, criador da Família Lima, como guitarrista e crooner (prá quem não sabe: crooner = vocalista e/ou cantor).

Zeca estava recém-casado com a Lorena, então desfrutaram a lua-de-mel numa temporada que fizemos em Morro dos Conventos, praia de Santa Catarina. Era um cara supercuidadoso com suas cordas vocais, não bebia e saía no final das festas, já madrugada, com uma manta enrolada na garganta. Também preocupava-se extremamente com o visual, vestia sempre um alinhadíssio terno, diferenciado da roupa dos outros músicos.
O casal tinha mudado há pouco para Porto Alegre, vindos de Novo Hamburgo e Dois Irmãos e começava modestamente sua vida na Capital (Lorena trabalhava como enfermeira). Logo estavam com uma enorme prole; lembro que fui visitá-los em uma casa de cômodos que ficava perto da minha residência (na Bento Martins esquina com a Demétrio Ribeiro, hoje essa casa não existe mais, pegou fogo e fizeram um prédio de apartamentos) e pude ver como esforçavam-se para manter a família.
Um pouco depois, Zeca iniciou a escolinha para pequenos violinistas, ensinou música aos filhos e... o resultado do investimento está na constatação do sucesso da família na música popular brasileira.

Anos depois, trabalhei com o irmão dele, Daniel Lima, o Peixe (baterista), mas isso é outra história...