Cantei por 40 anos e encontrei um único registro dessa carreira que foi a base de mais da metade da minha trajetória nessa encarnação. Um programa de TV gravado numa fita VHS em péssimo estado, da qual retirei essas imagens de baixa qualidade. Vou buscar a melhora dessa fita para reproduzi-la, se alguém souber de profissional capacitado que consiga essa mágica tecnológica, fico grata. Foi uma viagem sentimental e lacrimejante... 😊
Blog sobre música, envolvendo minha carreira musical e a de profissionais que admiro.
Monday, July 10, 2023
Cantei, cantei!
Tuesday, February 14, 2023
Vibrafone
Eis aí um instrumento que mexe demais com meu senso musical, tem uma sonoridade linda, límpida, um timbre que me lembra "a percussão em várias garrafas cheias de água". Durante minha trajetória, conheci somente duas pessoas que o executavam: Maestro Garoto e Heitor Barbosa, ambos também dominando os teclados.
Quando conheci o Garoto, ele já não tocava mais o vibrafone, mas em um local em que fomos nos apresentar, havia um e ele pode demonstrar que era bom mesmo na execução desse instrumento! Era bamba, como dizia-se antigamente.
Já o Heitor foi meu colega de banda - o Conjunto Melódico Norberto Baldauf - onde ele tocava o vibrafone e também os teclados. Mas aos poucos foi abandonando o primeiro e acabou dedicando-se apenas ao segundo. Uma pena, pois a sonoridade da banda mudou completamente com a saída do vibrafone, perdeu a singularidade, aquele ar de 50 anos. Heitor também era um excelente vibrafonista!
Diz a Wikipédia: "O vibrafone é um instrumento musical inventado no século XX. É um idiofone composto de diversas teclas de metal com altura definida, montadas num suporte sobre tubos que servem para amplificar seu som e também agem como ressonadores". Idiofone é um instrumento musical cujo som é provocado pela sua vibração. Ou seja, é o próprio corpo do instrumento que vibra para produzir o som. Exemplos de idiofone são o triângulo e as castanholas.
Pra quem quiser ir além e saber mais: Um breve panorama sobre o vibrafone na música do século XX
Primeiro LP do Breno Sauer Quinteto (1959), onde o Maestro Garoto (Altivo Penteado), pilotava o vibrafone.Reminiscências
Uma noite, um cliente do bar onde estava cantando, me disse, de uma forma grosseira: "Tu canta tudo do mesmo jeito, parece o Paulinho da Viola cantando!"
Fiquei surpresa encarando-o. Não disse nada pra não rolar uma discussão, mas também porque ele tinha o direito de opinar sobre meu talento musical.
Mas fiquei, ao mesmo tempo, incomodada e envaidecida, pois me comparar ao Paulinho da Viola significou um aplauso e um elogio.
Um guitarrista de uma banda onde trabalhávamos juntos - ele, outra cantora e eu - me falou: "A fulana imita perfeitamente os intérpretes das músicas que canta, já tu canta do teu jeito, não copia, tens estilo."
E era verdade. Ouvia várias vezes os discos para aprender as canções do meu repertório e reproduzi-las nas festas dançantes - ou nos bares noturnos - mas não conseguia imitar ninguém, nem pretendia. Não queria lembrar as cantoras e cantores que fizeram sucesso com determinadas composições, mas trazê-las de volta do passado para o presente com uma nova roupagem.
Dois caras, dois pontos de vista, duas avaliações.
Monday, May 6, 2013
O pedestal do microfone 2
David Coverdale (Whitesnake), também curte.
Axl Rose, chegadíssimo num contato próximo com o pedestal (pena que já perdeu toda
essa belezura e sex appeal).

Fiuk, que ainda mantém a sua lindeza e talento lá em cima, agarra.

Esse hábito pode ser hereditário, já que o Fabio Jr. também agarra.
Rita Lee não agarra (está quase sempre com as mãos ocupadas com algum instrumento musical), mas mostra o derrière
Em breve, mais images comprobatórias dessa relação estreita entre o músico e o pedestal do microfone.Tuesday, August 2, 2011
OMB - precisamos mesmo ser filiados à ela?
Músico não precisa de registro para exercer profissão, decide STF
01/08/2011 - 17h43
Felipe Seligman/Folha Ilustrada
Por unanimidade, o STF (Supremo Tribunal Federal) decidiu nesta segunda-feira (1º) que o músico não precisa ter registro em entidade de classe para exercer sua profissão.
Os ministros julgaram o caso de um músico de Santa Catarina que foi à Justiça ao alegar que, em seu Estado, ele só poderia atuar profissionalmente se fosse vinculado à Ordem de Músicos do Brasil.
Em diversos locais do Brasil, músicos são obrigados a apresentar documento de músico profissional -- a "carteirinha de músico" -- para poder se apresentar.
A decisão vale apenas para o caso específico, mas ficou decidido que os ministros poderão decidir sozinhos pedidos semelhantes que chegarem ao tribunal. Ou seja, se o registro continuar a ser cobrado, será revertido quando chegar no tribunal.
Para a ministra Ellen Gracie, relatora da ação, o registro em entidades só pode ser exigido quando o exercício da profissão sem controle representa um "risco social", "como no caso de médicos, engenheiros ou advogados", afirmou.
O colega Carlos Ayres Britto disse que não seria possível exigir esse registro pois a música é uma arte. Ricardo Lewandowski, por sua vez, chegou a dizer que seria o mesmo que exigir que os poetas fossem vinculados a uma Ordem Nacional da Poesia para que pudessem escrever.
Já o ministro Gilmar Mendes lembrou da decisão do próprio tribunal que julgou inconstitucional a necessidade de diploma para os jornalistas, por entender que tal exigência feria o princípio da liberdade de expressão.
Há muitos anos a Ordem dos Músicos vem sugando anuidades dos músicos e dando zero retorno - fui obrigada a contribuir por 30 anos porque se não o fizesse, os contratos das bandas não eram aceitos legalmente - uma forma de pressionar o pagamento dessa anuidade! Quando decidi não pagar mais, cheguei a ser multada numa cidadezinha perdida no interior do Estado - um fiscal da OMB conseguiu me rastrear em busca de grana! Tomara que caia essa obrigatoriedade oficialmente, em todo o país: quem tem talento não precisa de "carteirinha" para confirmá-lo e não vai ser ela que vai tornar alguém talentoso!
Mais aqui: Somos Livres, sim!
E aqui: Músicos não podem mais ser fiscalizados pela OMB no interior de São Paulo
Saturday, July 23, 2011
Amy Winehouse, a supernova perdeu o brilho
Quando ouvi pela primeira vez a sua voz, lembrei de Janis Joplin. Depois, ao saber das loucuras, da dependência química, da agressividade e da língua solta, dos relacionamentos problemáticos e ao comprovar seu extremo talento, não pude dissociá-la de Janis. E agora, ela morre tão jovem, aos 27 anos (como Janis...), deixando-nos órfãos de sua voz.
Problemas com drogas tantas pessoas têm - hoje cada vez mais - porém quando isso está ligado a alguém famoso, assume uma enorme importância e muitos fãs chegam a achar que esse binômio (talento musical + drogas) é praticamente necessário! Ser "amado" por milhares de pessoas pode ser doloroso, quando, no fundo talvez quiséssemos ser amados verdadeiramente só por uma pessoa.
Extrema sensibilidade é uma carga difícil de carregar e a solução, muitas vezes, é fugir - cada um escolhe o seu recurso. Se ela escolheu o álcool e outras drogas mais pesadas para criar sua ilha da fantasia, quem sou eu para criticá-la? Só posso lamentar que essa escolha a tenha tirado daqui do planeta cedo demais (mas esse também é um pensamento egoísta, lamento pela falta que vou sentir de novas gravações que não irão mais existir).
Resta ouvir muitas e muitas vezes a obra que ficou.
E esperar que outras pessoas notáveis consigam encontrar o conforto do qual precisam em práticas que não as destruam... sejam estrelas que não explodam com seu próprio brilho!
Monday, January 3, 2011
Adeus, Geraldo Flach!

Morreu hoje, vitimado por um câncer, o talentoso músico Geraldo Flach.
Guardo boas lembranças da nossa convivência, musical e pessoal, nos anos 80.
Depois, por não trabalharmos mais juntos, houve o natural afastamento, sendo que algumas vezes nos encontramos em bares noturnos.
Fica guardada no meu coração a música sensível que ele produzia, seu sorriso tímido, sua liderança leonina e os bons tempos de A Voz do Brasil.
Boa viagem, caríssimo!
Thursday, June 17, 2010
O pedestal do microfone
O pedestal serve ao vocalista como apoio, descanso, disfarce para a timidez, acessório vital na exibição, parceiro, escravo e o que mais possamos imaginar vendo nossos ídolos agarrados a esse pedaço de metal enquanto fazem o espetáculo que nos emociona.
Seguem imagens que refletem essa ligação bastante comum no meio artístico - algumas dessas performances já são clássicas.
O vocalista da banda Aerosmith, Steven Tyler, parou no hospital após cair durante uma apresentação. A causa? Dançando muito, fez várias performances com o pedestal: pôs no chão, girou em volta dele e pisou fora do palco...
Rihanna, com a língua roxa e um pedestal cheio de estilo!
Tobias Sammet e Jorn Lande, no show Avantasia - sentiu o peso do diabólico metal?
Blackie Lawless, do WASP - pedestal apocalíptico... hasta la vista, baby!
Shakira faz performance sensual com seu pedestal - nesse caso, posso concordar com a definição do meu amigo...
Jonathan Davis, do Korn, usa um pedestal que não dá para rotular como discreto.
Joss Stone pendura nele, um lenço em tons de roxo, hábito que traz desde o início da carreira.
Iggy Pop também já tornou clássicas suas evoluções aeróbicas com o pedestal.
O tradicional giro de pedestal de microfone de Paul Rodgers, do Queen.
Lady Gaga: com um piano pegando fogo no palco, ela destruiu uma parede de vidro com o pedestal do microfone e quebrou garrafas - violenta, a garota!
E pra encerrar essa primeira mostra (yes, haverão outras!), Ele, o Rei Roberto Carlos, que passa agarradinho ao pedestal 99% do desenrolar de seus shows. RC aparece aqui em duas fotos, afinal, a realeza tem mais diretos do que os simples mortais...
Wednesday, January 6, 2010
Ave-Maria do Morro
Que bela música e que bela interpretação - um coração sensível não pode deixar de emocionar-se ao ouvi-la...
Destaque também para a sensacional interpretação da atriz Adriana Esteves no papel de cantora - ela realmente encarnou a personagem. Quando a cena for para o youtube, vou colocar aqui; por enquanto, fica apenas o áudio original com a imagem estática de Dalva.
Monday, January 4, 2010
Dalva e Herivelto
Mas o importante mesmo é mostrar ao Brasil a sua música, a sua cultura, o seu passado, pois somos um país sem memória.
Qualquer iniciativa no sentido de expor ao povo brasileiro seus valores, é bem-vinda!
Provavelmente, muitos estão conhecendo a bela voz de Dalva de Oliveira a partir desse trabalho televisivo - os transtornos conjugais do casal são apenas pano de fundo para que a obra do compositor e da cantora seja divulgada em todo o território nacional.
Vivaaaaa!!!!
Wednesday, September 2, 2009
Expondo as entranhas

Todo mundo já deve ter assistido ao lamentável video de Vanusa, a cantora que deu ao Hino Nacional Brasileiro uma versão desafinada, caótica e vexaminosa - letra e melodia foram transformados pela sua interpretação desconexa.
Línguas venenosas disseram que ela estava bêbada, drogada.
Vanusa alegou doença - um rol de padecimentos como labirintite e três cirurgias realizadas recentemente devido a uma queda.
Será que ela deveria estar apresentando-se em público com a saúde tão fragilizada?
Os remédios para labirintite, o stress, briga com o filho, visão fraca - desculpas que foram dadas para o acontecido.
Particularmente, fiquei entristecida com o fato; sendo também cantora, conheço a tensa responsabilidade de estarmos num palco, da ansiedade que sentimos - mesmo que sejamos veteranas na profissão, sempre existe um certo receio de que a apresentação não seja um sucesso - a voz pode falhar, podemos esquecer a letra, um escorregão, um tropeço... E no caso, dela foi um total fracasso!
Com 61 anos e com a saúde abalada, não deveria ter corrido esse risco, indo apresentar-se sob medicação pesada e com efeitos colaterais - mas não posso julgar os motivos que a impeliram a cumprir seu compromisso, apesar da estafa.
Já cantei com febre, gripada, com dor de garganta, amamentando, preocupada com filho doente em casa, terminei um show às 5 da manhã e às sete estava na faculdade fazendo prova, enfim, vida de artista não é o mar de rosas que aparenta ser... e ao público não interessam nossos problemas, o que ele quer é um espetáculo perfeito! Se você faz uma apresentação brilhante, é aplaudida; se comete erros, é vaiada - simples como 2 e 2 são 4.
Não acredito que ela buscasse essa publicidade negativa, mesmo estando no ostracismo.
Infelizmente, talvez agora ela fique mais conhecida por ter pago esse mico do que por todo o trabalho que já realizou, desde a época da Jovem Guarda.













