Thursday, June 17, 2010

O pedestal do microfone

Um amigo do facebook postou uma foto de Steven Tyler fazendo acrobacias com o pedestal do seu microfone e comentei que essa relação estreita entre os dois - cantor e pedestal - merecia um estudo aprofundado. O autor da foto sugeriu que "o pedestal é o membro". Acho que é bem mais do que isso, vai além...
O pedestal serve ao vocalista como apoio, descanso, disfarce para a timidez, acessório vital na exibição, parceiro, escravo e o que mais possamos imaginar vendo nossos ídolos agarrados a esse pedaço de metal enquanto fazem o espetáculo que nos emociona.

Seguem imagens que refletem essa ligação bastante comum no meio artístico - algumas dessas performances já são clássicas.

O vocalista da banda Aerosmith, Steven Tyler, parou no hospital após cair durante uma apresentação. A causa? Dançando muito, fez várias performances com o pedestal: pôs no chão, girou em volta dele e pisou fora do palco...


Rihanna, com a língua roxa e um pedestal cheio de estilo!

Tobias Sammet e Jorn Lande, no show Avantasia - sentiu o peso do diabólico metal?

Blackie Lawless, do WASP - pedestal apocalíptico... hasta la vista, baby!

Shakira faz performance sensual com seu pedestal - nesse caso, posso concordar com a definição do meu amigo...

Jonathan Davis, do Korn, usa um pedestal que não dá para rotular como discreto.

Joss Stone pendura nele, um lenço em tons de roxo, hábito que traz desde o início da carreira.

Iggy Pop também já tornou clássicas suas evoluções aeróbicas com o pedestal.

O tradicional giro de pedestal de microfone de Paul Rodgers, do Queen.


Lady Gaga: com um piano pegando fogo no palco, ela destruiu uma parede de vidro com o pedestal do microfone e quebrou garrafas - violenta, a garota!

E pra encerrar essa primeira mostra (yes, haverão outras!), Ele, o Rei Roberto Carlos, que passa agarradinho ao pedestal 99% do desenrolar de seus shows. RC aparece aqui em duas fotos, afinal, a realeza tem mais diretos do que os simples mortais...




Wednesday, January 6, 2010

Ave-Maria do Morro

A minissérie Dalva e Herivelto está ajudando a desenterrar clássicos esquecidos da música brasileira, como Ave-Maria do Morro, de autoria de Herivelto Martins e interpretada por Dalva de Oliveira.
Que bela música e que bela interpretação - um coração sensível não pode deixar de emocionar-se ao ouvi-la...
Destaque também para a sensacional interpretação da atriz Adriana Esteves no papel de cantora - ela realmente encarnou a personagem. Quando a cena for para o youtube, vou colocar aqui; por enquanto, fica apenas o áudio original com a imagem estática de Dalva.


Monday, January 4, 2010

Dalva e Herivelto

A autora da minissérie diz que muito da história é ficção.
Mas o importante mesmo é mostrar ao Brasil a sua música, a sua cultura, o seu passado, pois somos um país sem memória.
Qualquer iniciativa no sentido de expor ao povo brasileiro seus valores, é bem-vinda!
Provavelmente, muitos estão conhecendo a bela voz de Dalva de Oliveira a partir desse trabalho televisivo - os transtornos conjugais do casal são apenas pano de fundo para que a obra do compositor e da cantora seja divulgada em todo o território nacional.
Vivaaaaa!!!!


Wednesday, December 9, 2009

Vitor Canella, O Acordeonista


O pessoal da atual geração não deve ter a mínima ideia de quem é essa figura.
Somos um país sem memória.
Tive o privilégio de conviver muitos anos com esse músico excepcional, criativo, sensível. Sabia interagir com o público e organizar a melhor sequência de músicas a serem tocadas durante um baile: criar o clima perfeito para dançar era com ele mesmo!

O acordeon, que era quase uma extensão do seu corpo, obedecia ao comando dos dedos que percorriam o instrumento como se tivessem nascido juntos - e que som maravilhoso ele fazia jorrar pelo ambiente, alegrando, embalando sonhos, comovendo e trazendo lembranças do passado guardadas nos corações de tantos que o admiravam.

Tinha um grande defeito; fumar demais, três ou quatro carteiras de cigarro consumidas diariamente. Foi esse vício que o levou precocemente para outra dimensão, onde deve estar dando concertos para os anjos.
Era uma necessidade absurda, incontrolável, que o fez amar menos a vida, já que não conseguia parar de tragar o veneno - aos poucos foi definhando e nos últimos bailes, já tocava poucas músicas, sempre sentado e ofegante, mas também sempre brilhante.
Até que não pode mais subir aos palcos e um grande e escuro buraco abriu ante nós, com a sua ausência.

Pessoa alegre, divertida, contava piadas, bem informado, conversava sobre todos os assuntos, fazia de tudo para não perder uma discussão.
Bom garfo (conhecedor detalhista da boa comida), às vezes tomava um trago a mais e tornava-se jocoso: se isso acontecia quando estávamos viajando, após terminar o baile, ele ia cantando aos berros para o ônibus e não deixava ninguém dormir, às vezes também usava o acordeon para não permitir que o silêncio tomasse conta do veículo.
Portava uma leva tudo enorme, com todos os documentos possíveis ali guardados (diziam que até a escritura da casa). Num certo baile em Pelotas, onde iríamos tocar após um leilão de cavalos, aguardávamos o final do tal evento e fomos até um bar próximo ao teatro. Ficamos um bom tempo ali, conversando, tomando cerveja, dizendo aquelas besteiras que só músicos reunidos numa mesa de bar conseguem formular (e entender...). O tempo passava e nada de terminar o tal leilão, o bar fechou e tivemos que ir embora. Já no teatro, uma hora ou mais se passara e Canela se dá conta de que esquecera a leva tudo sobre uma cadeira ao lado daquela em que estava sentado... Desespero! Saiu correndo de volta ao bar, que para sorte dele servia também de residência para o dono e com a ajuda de um brigadiano, o sujeito foi acordado, desceu até o estabelecimento e... lá estava ela, a bolsa, intacta na cadeira! Poucas vezes vi uma expressão tão grande de alívio no rosto de alguém...

Em 35 anos de carreira, convivi com muitos músicos talentosos, mas o Canella foi o único que me fez ficar de boca aberta enquanto tocava, conseguindo me transportar para outro mundo, um lugar onde podia-se flutuar, levemente, sem problemas, só sentindo prazer com o som!

Em outro baile, em Alegrete, estávamos tocando quando faltou energia elétrica.
Todos os instrumentos calaram, um burburinho de vozes estabeleceu-se no salão.
"Vamos aguardar, logo volta..." Mas que nada, o problema parecia ter sido grave.
Alguém trouxe um lampião e colocou no palco.
Canella pegou o acordeon e começou a tirar melodias dele.
Uma percussão leve ajudou no ritmo - o pandeiro do Touguinha.
E o salão inteiro fez silêncio, ouvindo embevecido a música feita em estado de pureza, sem um plug, sem voltagem.
Alguns pares arriscaram dançar, mas suavemente, para não perturbar a magia daquele momento.
A penumbra, o acordeon, as pessoas absorvendo a beleza inigualável que se criara...

Foram tantas passagens, algumas engraçadas (quando ele não quis pagar um jantar, porque achara muito caro e decidiu comer alguma coisa após o baile, sendo surpreendido pelo preço do lanche que consumiu - era o mesmo do jantar... no fim de noite, vale tudo!), algumas tristes (vê-lo definhando a cada baile, fraquinho, mal conseguindo segurar o acordeon companheiro de tantas apresentações), mas todas brilhantes na execução da arte na qual ele era um mestre.

Vitor Canella - não esqueçam desse nome, uma das glórias musicais do nosso país (ele era catarinense, mas passou a maior parte da vida atuando no Rio Grande do Sul)!

 Tico-tico no Fubá

Saturday, December 5, 2009

E la nave vá


Minha primeira apresentação com o CMNB foi durante a Noite do Lembra, evento que estava marcando a volta do conjunto aos palcos, depois da saída de Edgar Pozzer.
Na verdade, estava entrando para o grupo para "substituí-lo", todas as músicas do meu repertório inicial faziam parte do repertório que ele cantava ali - Piove, El dia en que me quieras, uma seleção de boleros que dividia com o Luis Otávio, algumas bossa-novas - pouca coisa, já que eu era uma "cantora convidada".

Engraçado que, depois de muitos anos atuando com eles e já tendo um repertório bem mais extenso, ainda era apresentada com o título de "cantora convidada", quando na verdade isso não tinha mais significado.

Os primeiros ensaios foram realizados no prédio da loja de móveis do Calcanhoto, o baterista - foram poucos porque o baile já iria acontecer. Fui vestida de branco da cabeça aos pés e gostei daquele clima anos 60 - o conjunto que, antigamente, rivalizava com Norberto nas festas - Renato e seu Conjunto - também apresentou-se e, incrivelmente, ainda existiam resquícios de competição no ar!

Disseram que faríamos esporádicas apresentações, talvez 3 ou 4 por ano.
Mas não esperávamos o sucesso daquele revival; o público adorou e a informação passou de boca em boca: Norberto Baldauf está tocando de novo!
Logo, começaram a pipocar os contratos com viagens por todo o Estado e quando me dei por conta, estávamos tocando todos os fins de semana! Enfim, estava voltando a uma situação da qual me julgara desligada para sempre: voltei a ser uma cantora de bailes!

Mas os primeiros anos foram compensadores, sob o ponto de vista financeiro e musical; ganhávamos muito bem por uma apresentação de quatro horas (tínhamos um diferencial, pois a maioria dos conjuntos tocava 5 ou 6 horas seguidas), principalmente porque atravessamos o período em que podíamos negociar os contratos pelo valor do dólar (bons tempos em que o real equivalia ao dólar...). Ficávamos nos melhores hotéis, comíamos nos melhores restaurantes e só tocávamos em festas chiquérrimas e com convidados VIPs.
Musicalmente, conseguimos atingir um bom relacionamento no palco e o conjunto tinha uma sonoridade própria, principalmente devido ao acordeon do Canela e ao vibrafone do Heitor - ambos os instrumentos proporcionavam um tipo de som ímpar e lembrando bastante os Anos Dourados, que era o ponto que mais atraía o público.
Os casais maduros queriam relembrar e os mais jovens, conhecer e curtir músicas do passado.
Nosso repertório era basicamente constituído por músicas dos anos 50, 60 e 70, com a execução dos clássicos desses períodos - enfim, era uma reconstituição do que eles tocavam nos anos de sucesso do início de carreira.

Apresentando-se no Le Club, clube noturno que trouxe o melhor da música para Porto Alegre

Baile na Sogipa, clube social e esportivo onde tocávamos muito

Quando esse repertório começou a modificar-se, por exigência de uma parcela do público, creio que começou a degeneração do grupo. Tocar os sucessos do momento exigia um aparato tecnológico que não tínhamos e também um swing que muitos ali também não possuíam. A primeira perda foi a saída do Luis Otávio, que caracterizava tão bem a elegância dos Anos Dourados - com aquele jeito de galã arrumadinho, um gentleman, uma pessoa generosa e boníssima - além disso, era ele quem cuidava das nossas finanças com maestria, pois também era um executivo brilhante.
Sempre irei recordar do momento em que ele preparava-se para cantar New York, New York - levava no bolso uma garrafinha de metal com um pouco de uísque e antes de interpretar essa canção, tomava alguns goles - "para ajudar a voz, limpar a garganta", dizia.
Brincávamos muito com essa mania dele, afirmando que tomava aquele uísque para criar coragem, pois New York, New York é um desafio para qualquer cantor!
Um tempo depois também saiu o Heitor, outro músico competente e pessoa igualmente agradável de se conviver - foram difíceis os primeiros bailes sem o som especial do seu vibrafone muito bem executado.

Trocamos várias vezes de baterista e cantores, entrou um novo tecladista (pois o Heitor também tocava teclados), os demais permaneceram: Norberto, Raul, Juca, Touguinha, Canela e eu.
Até que a doença arrebatou do conjunto a sua figura mais carismática, o artista maior do grupo: Vitor Canela.
Mas ele merece um post exclusivo, tal a importância da sua figura para a música, apesar de que a cultura brasileira não tem memória, muitos desconhecem a atuação e a existência desse músico notável.
Espero contribuir um pouquinho para divulgar o seu nome e obra.

Friday, October 9, 2009

Voltando aos bailes: o início


Em 1985, quando fui convidada pelo Luiz Otávio, crooner do Conjunto Melódico Norberto Baldauf, para atuar como "cantora convidada" em apresentações do grupo (que seriam esporádicas, segundo suas palavras), não pensei que atuaria com eles por 22 longos anos...

A foto é da formação de 1985, quando entrei no grupo, com exceção do baterista: na imagem, está o Toninho, substituindo o Calcanhoto (pai da Adriana) que não encontrou tempo para as inúmeras viagens que o conjunto passou a fazer; da esquerda para a direita estão:

VITOR CANELLA - acordeonista
TONINHO KLEIN - baterista
JUCA FEIJÓ - contrabaixista
NORBERTO BALDAUF - pianista
TOUGUINHA - percussionista
KAZU - cantora
RAUL LIMA - guitarrista
LUIZ OTÁVIO - cantor
HEITOR BARBOZA - vibrafone/teclados

Para mim, essa foi a melhor formação nesses 22 anos, tanto em qualidade musical quanto na qualidade do relacionamento pessoal - havia uma grande amizade entre os componentes do grupo, muitas brincadeiras, gozações, zoeira nas viagens, mas muito respeito e profissionalismo - aspectos que foram se perdendo à medida que os anos avançaram e muitas substituições foram feitas.
Mas isso ocorre com todo o tipo de relação, seja pessoal ou profissional: o desgaste natural e as mudanças, que nem sempre são positivas ou acrescentam, pelo contrário, roubam aos poucos a antiga magia, nunca mais recuperada.